Não é necessária nenhuma pesquisa para afirmar
que o sonho de grande parte dos brasileiros é ser
patrão. A apologia ao negócio próprio,
não está apenas entre as classes menos favorecida,
é uma ambição que passa pelas mais variadas
classes sociais, que idealizam a condição como
sublime e extremamente favorável às possibilidades de
crescimento financeiro. Mas será que esse sonho diante do
vigente mercado competitivo é realmente
compensador?
Ao analisarmos a situação do empregado e empregador,
podemos enumerar uma série de prós e contras. Vamos
começar com alguns conceitos radicais e a partir daí,
tentarmos fazer a escolha certa para o nosso futuro
profissional.
Desde os primórdios o ser humano tem a sua
subsistência baseada na satisfação das suas
necessidades. O trabalho vem a atender grande parte dos seus
anseios, afinal é com a remuneração
periódica que o trabalhador – ou empregado – bem
como o empregador, tem em mãos o dinheiro para satisfazer as
necessidades básicas que são viver, comer, vestir-se
e também as secundárias ou supérfluas, que
é adquirir um determinado status na sociedade, ter um papel
social, e conquistar formas que ostente luxos e
vaidades.
Em ambas as condições (empregado ou empregador) o
trabalho, portanto, é inevitável, salvo
àqueles casos onde o dinheiro é abundante ou por
riqueza adquirida, herança, jogos de azar, entre outras
possibilidades. Mesmo assim, há quem com todo o dinheiro
necessário, não consiga ficar sem trabalhar, sendo
esta a forma de satisfazer a auto-estima.
A maior vantagem do empregado é que ele tem a justiça
brasileira ao seu lado, a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) aponta o favorecimento quase que consensual do
empregado – ou colaborador – sendo uma aliada em
qualquer pendência judicial.
Outras vantagens norteiam a condição. O empregado tem
a certeza do salário no final do mês (ou quinzena,
semana, etc); tem a possibilidade de repouso remunerado, folga,
férias; além do salário conta com
remuneração e benefícios como vale-transporte,
vale-alimentação, 13° salário, seguro
desemprego, rescisão contratual, auxílio
doença através de planos de saúde e
também uma vantagem bastante considerável, dependendo
do emprego, consegue desligar do cotidiano profissional, cumprindo
os demais papéis na sociedade, sendo pai ou mãe,
filho (a), amigo (a), namorado (a), esposo (a), entre outros
papéis que o possibilitam lazer, diversão,
entretenimento, alegria.
A busca por qualidade de vida, mesmo entre os empregados que e tese
tem menos preocupação com a gestão, é
constante. Executivos de grande porte e aqueles que ocupam cargos
de menor hierarquia dentro de uma instituição
estão buscando tempo, que hoje vale dinheiro, tentando
driblar o desafio de conciliar a vida pessoal com competitiva
carreira e sucesso profissional.
Mas, ser empregado tem uma tendência opressiva também.
Ele tem menos preocupação com a
organização e mais tempo livre, entretanto é
suscetível ao assédio moral, a
subordinação, a burocracia, jornada exata de trabalho
e hierarquia. A competitividade e instabilidade a qual se submete
de uma certa forma, também são critérios a
contar.
Uma outra questão bastante delicada para o colaborador,
é enfrentar a ditadura de administradores que são na
verdade chefes e não líderes. A empáfia da
chefia está sendo substituída pelo espírito de
equipe do líder, que compreende seu colaborador como um ser
humano, cheio de necessidades pessoais, desta forma favorecendo o
seu CHA (Competências – Habilidades – Atitudes) e
o encaminhando para que exerça uma função que
venha ao encontro das necessidades organizacionais. Tanto é
atual esta afirmativa que no mês de maio, o presidente do
banco ITAÚ (segundo maior banco privado nacional), Roberto
Setubal enviou um memorando a todos os colaboradores onde citou as
“Novas práticas de recursos humanos no mercado”.
O banqueiro recomendou que todos passem a se ver como iguais, sejam
chefes ou subalternos. A nova postura determina que aposentem o
tratamento “doutor” e utilizem “camarada”.
Exemplos como este cada vez são mais comuns em empresas que
realmente crescem e tem por coordenação
líderes com o perfil que hoje o mercado exige.
Vamos então agora entrar no estereotipo do empregador. Tanto
ele líder como chefe, carrega consigo uma série de
prós e contras também. A favor do patrão
está a força de trabalho e o poder de mando. Chega e
sai na empresa independente do expediente, tem uma flexibilidade de
dia e horários, seleciona seus colaboradores, fica com o
lucro e a visibilidade dos méritos, mas, também das
derrotas. O “patrão” forma mais corriqueira de
denominar aquele que manda no negócio, empresa ou
empreendimento, ao contrário do empregado – ou
funcionário, tem a preocupação constante com o
que comanda, precisa se abdicar muitas vezes de férias,
porque está no comando e organização da
situação; carrega uma pesada carga tributária,
enfrentando juros e taxas que crescem vertiginosamente no Brasil;
correm muito mais riscos, se levam a falência uma empresa, as
chances de reposição no mercado são limitadas
e um dos pontos mais desfavoráveis, tem a Lei contra eles.
É raro um caso onde patrão ganha uma causa, afinal,
conforme já citado, a CLT protege o colaborador.
Refletindo sobre as vantagens e desvantagens, pode-se chegar a
conclusão de que o empregado é um acomodado e o
empregador um excêntrico e ousado profissional?. Essa
comparação pode ser ou não ser verdadeira,
isso depende de cada um. Tanto pode ser assim, um
funcionário arcaico que não abre mão da
máquina de escrever dentro de uma empresa com um
líder inovador e empreendedor, como podemos encontrar um
colaborador visionário em uma espaço onde o
“chefe” é conservador e tradicional.
Fica de todos estes apontamentos, a certeza de que o que mais vale
é o esforço individual. Temos que ser o melhor e
não apenas quem faz tudo “certinho”. Temos que
ser constantes em nosso aprimoramento sejamos nós chefes ou
subalternos. Precisamos estar a frente, atentos ao que o mercado
quer e em qualquer das condições, uma palavra na
atualidade vale muito mais que cursos caros e uma infinidade de
qualificações, ela é: CRIATIVIDADE. Use, abuse
dela, seja criativo para resolver os problemas, para criar projetos
e se manter em alta, sendo insubstituível sim!.
Nadiane Momo – Jornalista – Pós-graduanda em
Gestão de Pessoas