A solicitação de seis centrais sindicais ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que coloque em votação a Proposta de Emenda à Constituição – PEC, que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais ainda este mês teve como resposta que a Câmara já está pronta para votar. A audiência das centrais com a presidência da casa serviu também para ser entregue uma pauta de projetos prioritários na área trabalhista.
A pauta foi elaborada em conjunto entre as centrais sindicais - Força Sindical, CUT, NCST, UGT, CGTB e CTB - e as lideranças de seis partidos - PT, PDT, PV, PCdoB, PSB e PTB. Além da redução da jornada de trabalho, propuseram na pauta salário mínimo, terceirização, Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e trabalho escravo.
As centrais elogiaram a
decisão do presidente Michel Temer de liberar a pauta de votações
da Câmara, que estava presa às Medidas Provisórias (MPs), o que
possibilita a votação de matérias de interesse dos trabalhadores. O
segundo passo para garantir a votação das matérias é sensibilizar
os líderes para incluir os temas na pauta de
votação.
Temer disse que iria levar as
reivindicações dos trabalhadores para o Colégio de Líderes. E
aconselhou os sindicalistas a fazerem o trabalho de sensibilização
dos lideres, passo considerado importante pela deputada Jô Moraes
(PCdoB-MG).
Parar o
Brasil
O deputado Paulo Pereira da
Silva (PDT-SP), que é também presidente da Força Sindical, disse
que é hora de “ir para o conflito, e saber quem é contra as
40 horas, e eles que expliquem para sua base em 2010 (ano
eleitoral)”, sugerindo que a matéria da redução da carga
horária seja votada até o final deste mês. Ele anunciou que as
centrais sindicais vão parar o Brasil no dia da votação. A fala de
Paulinho da Força foi dirigida especialmente ao deputado Carlos
Sampaio (PSDB-SP) que participou da audiência para demonstrar apoio
à proposta. Sampaio lembrou que a última redução de jornada de
trabalho ocorreu em 1988, na época da Constituinte, e que passados
20 anos, os avanços tecnológicos ocorridos nesse período não
reverteram em benefícios para os trabalhadores. Ele destacou ainda
outros argumentos que são sempre citados pelos defensores da
proposta: possibilidade de abertura de novos postos de trabalho e
redução das horas-extras, que representam grandes prejuízos para os
trabalhadores.
Mudanças
estruturais
O representante da CTB,
Joilson Cardoso, destacou que a proposta dos trabalhadores está
centrada em seis pontos estruturais. E que a aprovação desses
pontos vai determinar o rumo que o Brasil pretende tomar no combate
aos efeitos da crise. Já a deputada Manuela d´Ávila (PC do B
– RS) também enfatizou a necessidade de o Brasil adotar
mudanças estruturantes no enfrentamento da crise econômica e que
esta pauta aponta nesse sentido. Ela destacou como importante
alternativa a aprovação de matéria que impeça as demissões em
massa, anunciando as articulações de elaboração de proposta sobre o
assunto que deve ser levada à votação em
Plenário.
Propostas dos
trabalhadores
A Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que reduz a carga horária máxima semanal de 44
para 40 horas e aumenta o valor da hora extra de 50% do valor
normal para 75% aguarda votação em uma comissão especial da Câmara.
O relator da matéria na comissão deputado Vicentinho (PT-SP), disse
que já pode apresentar o relatório. Após aprovação da PEC na
comissão, as centrais pedem a votação, no Plenário, da proposta do
ex-deputado e atual senador Inácio Arruda
(PCdoB-CE).
Os demais itens da pauta das
centrais são:
- votação do substitutivo do relator, deputado Pepe Vargas (PT-RS),
ao projeto que acaba com o fator previdenciário.
- aprovação do Projeto de Lei que estabelece a política de
valorização do salário mínimo;
- aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que
expropria as propriedades rurais onde houver o trabalho
escravo;
- aprovação da Convenção 151 da Organização Internacional do
Trabalho (OIT), sobre negociação coletiva no serviço público;
- aprovação de uma lei que proíba a demissão imotivada, nos termos
da Convenção 158 da OIT.

Gustavo
Qui 29 Out 2009 15:12